
BdFCC: Com que idade começou o seu percurso no futebol?
VN: Tinha 14 ou 15 anos e foi como jogador do GD Portalegrense. Na altura não havia iniciados e comecei nos juvenis.
BdFCC: Quais os clubes que representou como jogador?
VN: GD Portalegrense onde fui campeão nacional da 3ª divisão duas épocas (75/76 e 81/82), SC Campomaiorense (4 épocas) era o único jogador do plantel de fora da vila da raia alentejana e fui capitão de equipa nas últimas 3 épocas que lá estive. Estive para representar o Estrela de Portalegre várias vezes e infelizmente nunca aconteceu por motivos profissionais, pois na altura o GD Portalegrense arranjou-me emprego numa fábrica de Portalegre o que me ligou emocionalmente ao clube. Sou sócio do Estrela e de facto tenho uma grande pena em não ter sido jogador do clube.

BdFCC: E como treinador?
VN: Comecei no GD Portalegrense onde estive duas épocas, tive uma época no Arronchense, Proença-a-Nova, 7 jogos finais no Castelo de Vide, na tentativa de os salvar da descida, 4 épocas no Estrela de Portalegre e na 2ª época subimos à 2ª divisão. Na 3ª divisão ficámos 2 anos em 3º lugar. Uma época e meia no Benfica de Castelo Branco, que foi o local onde as coisas correram menos bem pois queríamos ter subido na 2ª época e não o conseguimos concretizar. Depois tive mais duas épocas no GD Portalegrense e de seguida uma época no "O Elvas". Após isto, mais duas épocas e meia no Eléctrico da Ponte Sôr, onde subimos igualmente à 2ª divisão. Ainda hoje estou para saber porque é que algumas pessoas roeram a corda em relação à minha continuidade.
Esta época tive 6 jornadas no Estrela de Portalegre e só eu, os jogadores e a direcção sabemos o que me custou abandonar o grupo de trabalho. Agora como é sabido oriento FC Crato.
BdFCC: E como surgiu o Vitor Nozes treinador. Vocação ou opção?
VN: Tinha 32 anos e ainda era jogador. Após 5 operações ao joelho tive de abandonar. Comecei como adjunto de Joaquim Teixeira no Portalegrense. O clube rescindiu com ele e a partir daí assumi o papel de treinador principal. As coisas não correram mal e recebi um convite do Arronchense que aceitei. Depois surge o Proença-a-Nova com muita insistência e tornei-me então profissional de futebol. Tendo a segurança de um pequeno café, despedi-me da fábrica onde trabalhei 10 anos.
BdFCC: Respira futebol 24h por dia ou abstrai-se naturalmente?
VN: No meu pequeno café abstraio-me um pouco mas muito pouco mesmo, pois até nos guardanapos faço equipas. Vêm aqui muitos amigos meus do futebol e aqui convivemos e obviamente falamos muito de futebol. Até já intitulam o meu café de Bar da Liga (risos).
BdFCC: Quando recebeu o convite do FC Crato, qual foi a sua reacção, já que estava a treinar o Estrela de Portalegre?
VN: Fui convidado 2 ou 3 vezes e nunca chegámos a acordo. Fiquei contente por as pessoas se lembrarem de mim. Agora a tristeza de deixar o Estrela foi enorme, pois é uma equipa jovem que construí e o plantel sabe bem o que me custou deixá-los, pois viram a minha reacção e sabem bem que ainda hoje me lembro deles.
BdFCC: Porque não houve entendimento nas abordagens anteriores. Questões financeiras ou outras?
VN: A primeira vez não houve entendimento por questões financeiras e não só. Os próprios directores chegaram à conclusão que as outras opções seriam as ideais e além disso estava a custar-me muito abandonar o grupo de trabalho do SC Estrela que foi a base principal de não chegar a acordo.

BdFCC: Qual a sua opinião sobre o plantel que encontrou? Tem intenção de reforçar a equipa agora no mercado de Inverno? Que posição(ões)?
VN: O plantel não é à minha medida e não estou a criticar os meus antecessores mas se fosse eu a formá-lo é óbvio que o formaria de outra forma. Quando uma equipa está em último lugar, há desmotivação, cada um puxava por si o que não pode acontecer no futebol. Temos de perder e ganhar sempre, mas quando se perde a culpa é sempre do treinador.
Hoje vai já um ponta de lança novo, João Ramos e jogava no Eléctrico da Ponte de Sôr.
BdFCC: Quais os sectores mais carenciados do grupo de trabalho?
VN: Em termos de sectores não me pronuncio pois é estar a mexer no grupo de trabalho, agora que a equipa está muito desiquilibrada, está. Vamos tentar melhorar.
BdFCC: Acha que conseguiu espremer tudo o que de bom os jogadores do FC Crato têm, ou ainda há alguns que têm muito mais a mostrar?
VN: Ainda não. Temos de sair da posição onde nos encontramos custe o que custar. Mas eles próprios têm de mostrar vontade nos treinos e não fazer birras quando são utilizados noutras posições porque acima de tudo está a equipa e neste caso o FC Crato. A minha equipa está sempre primeiro.

BdFCC: Com praticamente os mesmos jogadores que os seus antecessores conseguiu mudar o rumo dos acontecimentos, conquistando diversos pontos. O que acrescentou à equipa com a sua chegada?
VN: Se calhar consegui acrescentar as minhas ideias, fiz-lhes ver que era importante trabalhar, correr mais e sermos mais unidos do que éramos. Ainda não ganhámos nada e falta muito campeonato. Isto vai decidir-se nos últimos jogos.
BdFCC: Que mais podemos esperar de Vitor Nozes?
VN: Sempre a mesma coisa, dedicação, empenho e acima de tudo honestidade que é o que tenho feito nos clubes por onde passei. Actualmente deito-me e acordo a pensar no Crato porque é o clube que neste momento represento com muito orgulho.
BdFCC: Avizinha-se viagem à Madeira para defrontar o líder Camacha. Quais os condimentos necessários para trazer um bom resultado?
VN: Os condimentos são aquilo que disse atrás. Muito empenho, garra, concentração e acreditar que vamos ser capazes. Não há jogos iguais e a equipa do Camacha são homens como nós e portanto temos que acreditar. É nestes jogos que às vezes se dá o salto.
BdFCC: Num campeonato feito de pontos e de regularidade qual pensa que vai ser o destino do FC Crato no final da época?
VN: Sem dúvida ficar na 3ª divisão porque se não acreditasse não teria aceite este desafio. É um desafio grande que me dá pica como se costuma dizer, contudo é preciso que as pessoas tenham alguma paciência.
BdFCC: O Blog do FCC considera-o o elemento chave na recuperação física e psicológica da equipa. Que tem a dizer sobre isso?
VN: O que acho sobre isso é que às vezes os jogadores estão algo desmotivados, amorfos e só às vezes tentar fazer-lhes ver que têm valor, que são 11 contra 11 e que no futebol não há vencedores antecipados. É lógico que também tenho que realçar aqui a grande ajuda do Curinha, José Maia e do nosso grande amigo Tiago, assim como o técnico de equipamentos, departamento médico e como é óbvio a direcção.

BdFCC: De que forma é ocupado o seu tempo livre?
VN: Aqui no meu pequeno café a conviver com os amigos e por vezes a ver jogos do distrital. Também aprecio muito umas patuscadas com os amigos e não é agora que vou mudar.
BdFCC: Já consultou o nosso Blog? Qua acha?
VN: Vi com a ajuda do meu filho. Acho interessante para que os atletas e responsáveis pelo futebol e não só tenham acesso a novidades e as possam transmitir. Só que há muitos que aproveitam para fazer críticas sem fundamento, por causa das invejas.
BdFCC: Deixe uma mensagem aos adeptos do FC Crato?
VN: O Natal já passou e espero que tenha sido bom. Desejar acima de tudo um bom 2009 para todos os associados e adeptos do FC Crato e lembrar-lhes também que do outro lado há sempre outra equipa com o mesmo objectivo do nosso. Vamos tentar ser mais fortes que os adversários, acreditando que ficamos na 3ª divisão com a vossa ajuda.
Um abraço.
E assim terminámos o diálogo com Vitor Nozes onde a nota dominante foi a honestidade e a boa disposição de um homem que tem o mérito de ter conseguido tirar o FC Crato da última posição. Vitor faça jus à sua fama e categoria e mantenha a equipa na 3ª divisão. Obrigado por este brilhante momento e MUITAS FELICIDADES.


































