
BdFCC: Treinas equipas de futebol há quanto tempo?
HR: Treino escalões de formação de futebol desde o ano de 2003, com uma pausa na época de 2006/2007 devido ao facto do Estádio estar em construção.
BdFCC: A tua área de formação é a Educação Física, és professor da mesma disciplina. Crês que este estatuto te facilita a vida para ensinares os miúdos da formação? É por isso que estás no 1º escalão da formação?
HR: Em certa medida pode facilitar, principalmente no que respeita aos aspectos físicos do treino e também em relação aos jogos pré-desportivos, pois nestes escalões jovens deve-se trabalhar muito com contacto com a bola e aí temos de ser criativos para dar dinâmicas diferentes e divertidas aos miúdos. Não obstante a minha formação em Educação Física, sou daqueles que pensa que a melhor licenciatura que existe é a da vida, a da experiência aliada também ao suporte teórico adquirido na faculdade.

BdFCC: Não costumas trabalhar sozinho. Desta vez és apoiado por quem?
HR: Num grupo de trabalho há sempre um responsável máximo que responde pelo bem ou mal que acontece na estrutura do escalão que como não podia deixar de ser, é o treinador. Conto com o apoio incondicional dos meus adjuntos Gonçalo Lourenço (fundador e administrador do blog, Bancada Central) e Pedro Martins que com o seu empenho e dedicação são também fundamentais para o bom funcionamento do escalão. Aproveito a oportunidade para lhes endereçar uma saudação especial, dado serem os meus aliados nesta árdua tarefa de tentar ensinar, motivar e incentivar miúdos à prática desportiva, pois ao contrário de outros tempos têm muitas ocupações e tentações no seu dia-a-dia. O nosso papel é também o de educar e encaminhar os jovens para os lados positivos da nossa sociedade.
BdFCC: Relativamente a esta época desportiva, o que esperas da tua equipa?
HR: Com o plantel que foi possível organizar creio que temos condições para fazer uma época onde a palavra formação esteja no seu expoente máximo, pois o que mais me preocupa é a transmissão dos conhecimentos relativo a todos os aspectos do jogo sejam entendidos e que os miúdos se mantenham motivados durante o decorrer da época. Temos um plantel de 14 jogadores se finalizarmos a época com todos esses jogadores considero que foi extremamente positiva, independentemente da classificação final.

BdFCC: Há jogadores novos, ou a maioria transita da época anterior?
HR: Naturalmente que temos jogadores novos. 3 miúdos representaram na época passada o Gafetense, 7 renovaram a inscrição e temos o desafio de iniciar 4 jovens na modalidade.
BdFCC: Como é a aceitação dos pais para este projecto?
HR: Creio ser do seu agrado, pois damos a oportunidade aos seus filhos de aprenderem e evoluírem nesta modalidade que tem tantos seguidores e apaixonados. Gostaria que houvesse mais compreensão da parte deles, pois um mau comportamento fora do futebol ou más notas escolares, implica desde logo um castigo aos miúdos e a primeira coisa que os pais fazem é tirá-los do futebol, penalizando desta forma não só o próprio miúdo mas também o clube, pois fica privado dele em treinos e jogos.
BdFCC: Como vês a evolução das crianças na prática da modalidade? É gratificante?
HR: Como já disse anteriormente, já trabalho há vários anos nos escalões de formação e foram raras as vezes em que não foi possível observar evolução nos praticantes. De facto é gratificante trabalhar com estas idades, pois há a honestidade em tudo o que dizem e fazem, proporcionando bons momentos a todos os que com eles trabalham. O reconhecimento do nosso trabalho é também um factor importante no nosso estado de espírito mas infelizmente isso é mais difícil de conquistar. Normalmente não se valorizam os filhos da terra.
BdFCC: Nesta fase, mais importante que os resultados é realmente a predisposição para a prática desportiva. Opinas da mesma forma?
HR: Concerteza que sim. Costumo dizer aos meus jogadores que prefiro perder 10-0 e os meus miúdos lutem e saibam interpretar as leis de jogo e os posicionamentos em campo, do que vencer, tendo os meus jogadores sem estratégia de jogo e jogando cada um para si. O essencial como já referi, é o de formar jovens atletas para que num futuro próximo estes jovens sejam mais valias no exercício do clube e acima de tudo cresçam como homens e num ambiente saudável.

BdFCC: Acreditas que estás a preparar o futuro do FC Crato? Achas o projecto sério ou é apenas um entretenimento?
HR: Penso que estou a colaborar para que assim seja, mas prefiro que sejam os directores a pronunciarem-se sobre essa questão. Considero um projecto sério onde estou envolvido à algum tempo. Não fosse a época perdida de 2006/2007 e hoje estávamos a falar de um clube que também tinha juvenis, podendo esses miúdos fazer uma abordagem preparatória nos seniores.
BdFCC: Achas os meios e equipamentos que o FC Crato dispõe para as camadas jovens adequados e suficientes? Ou há que melhorar?
BdFCC: Sentes apoio da direcção para desempenhares o teu papel?
HR:Por enquanto e até prova em contrário tenho tido total apoio e confiança da direcção. Contudo está a decorrer uma situação desagradável com a mãe de um atleta que não gostaria de me pronunciar. Tenho esperança que se resolva da melhor maneira para o bem de todos.
BdFCC: O que achas da nossa massa associativa, acompanham os escalões de formação, ou olham mais para os seniores?
HR: A título pessoal e desde o tempo em que era jogador, havia uma certa animosidade em relação a mim, creio que agora não será muito diferente, mas o que realmente me importa é que apoiem os miúdos em exclusivo. O apoio que precisarei concerteza virá das pessoas certas e é dessas que importa realmente. Quanto aos seniores, é óbvio que a maioria do apoio é dado a eles, como é natural e compreensível.
BdFCC: Não te vou falar do blog, pois és um dos administradores, mas deixa uma mensagem aos adeptos.
HR: Pois é, de facto sou um dos administradores do blog e quero deixar bem claro que a ideia desta entrevista não foi minha mas sim do meu amigo, primo e colega Cratolândia (Rui Rodrigues). A minha mensagem aos adeptos é simples, seja quem for que estiver ao “leme” do clube deve ser credor do maior apoio para que a motivação não falte, pois como é sabido muitas vezes se abdica da vida privada em detrimento da desportiva e isso é de louvar nos tempos que correm.
















